O Espaço de diálogo sobre o Ensino Médio Público

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A DESCOLARIZAÇÃO PARAENSE



                 O estado do Pará tem uma população de 6.062.304 habitantes com mais de 10 anos de idade, destes há 1.030.589 (17%) pessoas que nunca frequentaram a escola e 759.589 analfabetos. Estes números revelam o quão longe ainda estamos de vivermos em uma democracia efetiva, capaz de assegurar sequer a equidade de condições educacionais para a nossa população.

População paraense acima de 10 anos de idade – analfabetos e desescolarizados – 2010 (em milhões)
                  Fonte: IBGE. www.ibge.gov.br.
              
              Temos uma grande parcela da população analfabeta e desescolarizada e esta situação de precariedade educacional também se revela nos números da população que tem acesso ao ensino médio.  Considerando apenas a população adulta (com mais de 19 anos), que totaliza mais de 4,5 milhões de paraenses, apenas 1.146.771 pessoas (25%) têm o ensino médio completo. Configura-se assim uma pirâmide educacional que espelha a dualidade social existente em nossa sociedade: uma base social ampla e desescolarizada, em geral de baixa renda, em contraste com uma parcela pequena de indivíduos com escolarização elevada, de renda média também superior.
População paraense adulta no ensino médio – 2010 (em milhões)

                                             
                                                  Fonte: IBGE. www.ibge.gov.br.

                Estes números revelam que está sendo negada à população paraense condições mínimas para a vida social (lembremo-nos que a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio constituem a chamada educação básica!). Uma população analfabeta e desescolarizada tem sua dignidade ameaçada, pois participa em condições desfavoráveis da vida social e produtiva no contexto onde está inserida, dada a precariedade de suas ferramentas culturais e de seus recursos intelectuais.
            Esta situação se explica não apenas pela falta de escolas ou de matrículas, mas principalmente pelo descaso histórico das autoridades constituídas com a valorização da população paraense. As nossas elites convivem bem com muitas mazelas que afligem os trabalhadores: trabalho escravo, assassinatos no campo, falta de saneamento básico, corrupção generalizada, enfim, a baixa escolarização da população não atrapalha o sono da classe dominante no Pará.
            Para superar este quadro é necessárionão só um pesado investimento público e a definição de uma política de educação básica para o estado, como também estratégias claramente definidas, juntamente com o combate à corrupção e, acima de tudo, requer a mudança da realidade material de parte da população, para quem o ensino médio ainda não tem significado algum, já que não considera sua cultura e nem favorece a ascensão social e a participação digna na vida produtiva.

Um comentário:

  1. Este é mais um crime que se comete contra a juventude paraense!

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