domingo, 20 de março de 2016
Nota pública do HISTEDBR - À COMUNIDADE CIENTÍFICA E MOVIMENTOS SOCIAIS POPULARES
A coordenação nacional do
Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no Brasil - HISTEDBR -, coletivo nacional de
grupos de pesquisa e pesquisadores, acompanhando a manifestação de várias
organizações científicas e acadêmicas, manifesta sua preocupação com o
agravamento da crise política, jurídica e econômica e suas graves consequências
para a vida da maioria da população. Acompanhamos o processo de democratização
de nosso país, após anos de autoritarismo, arbítrio e repressão. Por mais que a
democracia formal numa sociedade dividida em classes seja exercida
preferencialmente em benefício de uma classe, trata-se de um regime que
possibilita a todas as forças políticas e sociais a plena mobilização social, a
manifestação de suas opiniões e a luta em defesa das mais diferentes bandeiras.
Nesse processo, as forças hegemônicas assumem o controle político, sempre
temporário, através de processos eleitorais para a escolha de seus
representantes nas diferentes instâncias do poder de Estado. A garantia para
que isso ocorra está no pleno funcionamento do Estado de direito, o que não se
viabilizará sem que este esteja ancorado em princípios constitucionais que
garantam o pleno funcionamento de seus aparatos políticos e jurídicos, jamais
permitindo que suas instâncias atendam a clamores golpistas, ainda que
identificados com manifestações de camadas sociais que não acatam o resultado
de eleições democráticas. Testemunhamos o agravamento cotidiano dessa crise e
de sua polarização. É fundamental que o Estado de direito prevaleça e que os
princípios constitucionais sejam restabelecidos para que não ocorra novo
retrocesso político em nosso país.
--
Prof. Dr. José Claudinei Lombardi (Zezo)
Professor Livre Docente da FE - UNICAMP
Coordenador Executivo do HISTEDBR
Manifestação da Chapa Emmanuel/Gilmar sobre a Conjuntura Política Nacional
Caros(as) Amigos(as),
Estamos participando de um processo
democrático que definirá o futuro da UFPA e nele temos apresentado com clareza
um projeto que tem como compromisso basilar a defesa da universidade pública,
gratuita e de qualidade. A universidade que queremos é também parte de um
ambiente político e social mais amplo, que requer nosso esforço para nele
intervir, promovendo o conhecimento e os valores que podem nos levar a uma
sociedade mais justa, mais tolerante, mais igualitária e mais fraterna.
Uma universidade precisa ser um ambiente acolhedor da pluralidade de
ideias, ao mesmo tempo em que precisa ter clareza de seu papel na sociedade.
Temos sido, e precisamos continuar sendo, uma instituição suprapartidária, onde
convivem e se submetem ao debate rigoroso as mais diversas leituras da
realidade política e social. Graças a isso, temos formado gerações de
lideranças. Mas temos algo muito precioso que nos unifica: a defesa da
democracia, das instituições republicanas e do respeito aos direitos de cada
cidadão.
Como atores políticos na sociedade
não podemos ficar mudos no momento em que a crise política traz à cena ameaças
à liberdade, à cidadania, ao Estado Democrático de Direito. Entendemos e
acolhemos a divergência e a crítica. Compartilhamos a exigência de que todos se
submetam ao rigor das leis. Com a mesma convicção, não aceitamos, e pensamos
que a instituição universitária não pode aceitar, soluções que não sejam
aquelas previstas nas nossas leis e na Constituição Federal conquistada após
anos de luta contra uma ditadura.
Defendemos intransigentemente a
democracia. Alinhamo-nos com todos(as) aqueles(as) que lutaram e continuarão
lutando para que os nossos problemas sejam enfrentados e solucionados com as
melhores armas que a nossa história social produziu: o embate de ideias, com o
respeito aos direitos de cada um e aos direitos da coletividade.
Emmanuel Tourinho
Gilmar Pereira da Silva
Gilmar Pereira da Silva
sexta-feira, 18 de março de 2016
À COMUNIDADE ACADÊMICA E À SOCIEDADE PARAENSE
Cidadãos e cidadãs paraenses, nestes
dias difíceis e de exacerbada complexidade, nós, professores da Universidade
Federal do Pará, vimos nos expressar em defesa da democracia e contra qualquer
iniciativa que implique em golpe contra a legalidade constitucional.
Fazemos isto por entender que este é um
momento que exige um posicionamento crítico, pois estamos diante da ampliação de
uma grave crise política motivada por ameaças à ordem constitucional e aos
direitos civis e políticos de nosso povo, com o crescimento indesejável da
violência e de ocorrências de natureza fascista.
Não temos a intenção de preservar este
ou aquele partido político, nem de concordar ou discordar com as políticas do presente
governo, entretanto, os acordos, tentativas ou manipulações midiáticas e
judiciais que têm manifestado a intenção de retirar a Presidente da República
de seu cargo, representam, inegavelmente, um grave desrespeito à ordem constitucional
e à sagrada soberania das urnas.
Tais tentativas ficam cada vez mais
claras quando assistimos aos julgamentos midiáticos viabilizados pelo vazamento
seletivo de componentes
processuais antes de sua análise meticulosa e conclusões subsidiadas, o que
comprova cabalmente o conluio existente entre setores do Judiciário e da grande
mídia. Da mesma forma, alguns juízes têm ignorado solenemente a necessária
postura de imparcialidade, que é um pressuposto de validade do processo,
atribuindo culpas “a priori” e detendo cidadãos com o fito de negociar delações
pontuais de natureza política.
Queremos deixar claro que apoiamos toda e
qualquer forma legal de investigação e apuração dos casos de corrupção em nosso
país, todavia, não podemos simplesmente negar um dos princípios fundantes do
direito humano que é o de que “todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma
justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial,
para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer
acusação criminal contra ele” (Artigo X da Declaração
Universal dos Direitos
do Homem).
Como educadores e pesquisadores, temos na liberdade, no rigor,
na criatividade e na pluralidade, elementos indispensáveis de atuação
profissional e política, daí nosso comprometimento com a normalidade
institucional e a proteção dos valores inegociáveis da justiça e da democracia.
Belém do Pará, 18 de março de 2016.
quinta-feira, 17 de março de 2016
MÍDIA EMPRESARIAL E A CORROSÃO DOS VALORES DEMOCRÁTCIOS (Gaudêncio Frigotto)

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